E-ternais luminescências



Acordes dourados de Van Gogh transmigram vidas
Em sonatas o amarelo invade o azul
Reintegrando a aquarela do dia
Desinventando a regra verdal

Amarelo é a palavra espantada
Que olha pesquisante na íris dos olhos
Arregalando os cílios da menina tão só

Tem certas coisas que só nos coisificam
À toa-toa...
Toando o dia com notas berrantes
De um céu sem nuvens.

E feito fogo uma língua queima ao meio dia
E fervo nos olhos úmidos de moça sonhadora
Um branco bordando rendal sentimentos

Mas a tarde tem dolências sem desassossegos
E o entardecido entorpecer das mornas serestas

E num repente um pôr-do-sol latejante
Soluçando-me de vermelho no pálido azul

Ando silenciada agora de tanto azul
Que há no orvalho das noites serenas
Sei lá das sapiências em grafites tímidos de rimas
Não tem no tempo os espaços de outrora

Dormências de ciências invadem e bordam o olhar

Acrescido de sombrias melancolias

E de novo o blues entristecido da viola de cocho
Serenando a noite tépida

Aguardo os vaga-lumes bordantes
Desenhando nas sombras os esboços do ultimo sol
Enquanto estrelas tardias rebrilham azul noturnal

5 comentários:

Liliana Seven disse...

Oi Tânia! Me sinto contente e lisonjeada com suas palavras, porque... olha tudo isso aqui q vc tem em seu blog!! Quanta docilidade! Quanto talento e arte vc transmite e transpira! Sou reconhecidamente uma amadora que se contenta com o rabiscar daquilo q se sente sem sequer ser poeta. Obrigada pela visita. Vc será bem-vinda sempre. E já tenho seus blogs como meus favoritos tb. Abraço.

Renata Pitaguari disse...

Oi Tânia , quanto tempo não te visitava né , mas vim na hora certa eu sou apaixonada por Van Gogh , lindo texto !!!
beijinhos

jessé barbosa de oliveira disse...

A CROMÁTICA E O BUCOLISMO SINESTÉSICOS DA LUZ NATURAL
VANGOGHIANA RECEBEU UMA PERFEITA
TRADUÇÃO POR MEIO DO SEU PLÁSTICO
E IMPONENTE POEMA.
OLHA, EU ME ORGULHO MUITO DE
PODER INTERAGIR COM UMA POETA
DA SUA ESTIRPE E ENVERGADURA.
MINHAS SINCERAS SAUDAÇÕES, COLOSSAL POETA TÂNIA!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

Fábio Santana disse...

Minha querida, sei que há tempos não passo por aqui... mas hoje resolvi sair da mesmice da letra academicizada e visitar alguns amigos, mesmo que virtualmente.
Além de me encantar ao me surpreender nas curvas de seu blog, sou levado às madrugadas de belas conversas poéticas em que você me dizia não escrever mais... como são as coisas, hein...!
Seus poemas são de extrema qualidade. Mais do que um caso de parabéns, eis o instante de silenciamento frente à tensão mortalmente vívida... aplausos!

Fábio Santana disse...

De repente, não mais além do instante que dita o agora, tive saudade de suas palavras poéticas. Poeta, poeta... há tempos que não burilamos a discórdia das madrugadas. Enfim, um dito, um acalento... não mais que o tempo em atravessamento do antes e depois. Um até breve, um abraço, depois, quem sabe, um tchau! Não como finitude de um aquém, mas como temperança de um além... até daqui a pouco!

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