13.11.09

E- terno


        Entrou no sorriso dos dias  s
                                               e
                                                  r  e  s
                                                         t
                                                         a n d o
                                           caminhos

   Com seu riso carmim entre flores tagarelas
          Anotou nos olhares os lamentos do
               a
                  r
                     r
                        e
                           b
                              o
                                 l
     A felicidade ainda amarelada e corada de sol

            Nas cintilações noturnas desavisadas de melancolia
    Modelou em azul cantigas de poemas-peregrinos

Tecendo sonhos de amores meninos vertiginou-se
     Engoliu a tarde em sonolentas cantigas de letargia

          Deu adeus as estrelas aparecidas e temporãs
  Entrisandecido adormeceu sem ouvir as canções da lua
     
          Mas chão era leito-terral e sabia direto das chuvas
 Subiu, desceu e elementou-se
 Viajante natural
     
        Os traços no céu: são nuvens pinturas de tua face!
        E ao sol multicolores risos brincam de ser
                                                 cosmo-mágia.

Tânia Souza

2.11.09

Depois de cem anos, solidão - Tânia Souza

  Depois de cem anos, solidão

     Depois de ler por cem anos, de solidão sou tocada. Fecho as janelas, é o fim da viagem. Quando olho ao meu redor, percebo que acabei de chegar. Tudo o que vejo, conheço e vivo, de repente parece-me tão novo e claro. E apesar das sombras, sinto o sol ardendo em mim.
     Prossigo no novo caminho, a mata fechada ferindo os espaços, mas não posso deter-me. Livro-me dos galhos e do verde, e finalmente em um pequeno povoado. Ao longe, meus olhos se enchem com o que descubro: é um menino brincando com um peixinho dourado. Decido continuar, e apesar das sombras, sinto um sol ardendo em mim.
     Prossigo e no meu caminho, uma criança de olhos grandes e assustados não conseguiu evitar que eu a visse a comer a cal de uma casa. Cal, estranheza tão familiar... Seus dentes devoravam e eu podia ouvir seu ruidoso mastigar junto a tão inocentes olhos. Fome. De que? A memória tenta enganar-me, mas ainda me perco... Tenho fome também.
     Apesar da sombra, o sol. Sigo descobrindo em cada canto um re-conhecer, enlevo e medo. E os sons aumentam em fúrias, que barulho-canção é este? E ao longe vejo chegando, pressa e ânsia; urgente e garboso militar, escoltas de soldados. Uma velha melancólica o fita, onde estava que não a via? Esteve sempre comigo tão plena de histórias e dores? Os olhos vagos, vazios, me lembram alguém... Quem? Não sei, não importa, seria impossível. Ou seria, neste descaminhos tudo é tão novo, tão a espera de ser visto? Parada diante de uma bela casa, sem sombras, apenas sol. O cenário ao meu redor começa a mudar, ouço estranhos e amigos sons. Pobre de mim, quem sou? Sei apenas que o vento me arrasta, giro cada vez mais rápido e já não posso nem quero fugir.
     — Maconndoo!— Sussurram-me os ventos do tempo.
     —..... Macondoo!
     Aurelianos, Ursulas e Remédios por toda parte, entranhados em mim, no meu sangue, Márquez me arrasta, em minha alma entranhado. Já não sei quem sou, quem fui. Não importa, tudo o que quero é sentar-me a sombra do velho castanheiro e conversar com o senhor que ali vejo. O vento agora aumenta, todos se afastam de mim, e sou levada, para qual caminhos não sei, mas sinto  Rebeca mastigando furiosamente a cal dentro de mim e  todo um ciclo se fechando, lentamente, meu próprio ciclo a se encerrar... e apesar das sombras, o sol.

Tãnia Souza

Haicai III



Haicai III

Tuiuiús no ninho.
No calor do pôr do sol
Dorme o pantanal.


Tânia Souza

Haicai II



Haicai II

Surge a primavera.
Borboleta colorida
Encanta a manhã
.

Tânia Souza

15.10.09

FIB I

FIB I




     Em
          Você,
Meu amado,
Um olhar tão mágico


Anseio por teu beijo cálido.



Tânia Souza

....
O FIB é uma forma poética de se contar histórias;
Constrói-se com vinte sílabas poéticas, na sequência 1/1/2/3/5/8.

 

FIB II

FIB II



A
morte,
sorrindo
surpreendeu:
são tantos mistérios
a se descobrir no universo.

FIB III

FIB III



Tímido,
Trêmulo.
Teu beijo
Tatuou-me
Tempestades n'alma.
No corpo, resquícios de febre.


Tânia Souza

FIB IV





O FIB é uma forma poética de se contar histórias;
Constrói-se com vinte sílabas poéticas, na sequência 1/1/2/3/5/8.

Campanha Fantástica

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