é noite

é noite

e em luares solitários os tédios se neblinam
e do nada assopram-se movimentações
e das colchas enroladas coxas arredondadas
despertam-se emoções e serenas elas vão
tendem-se preguiçosas e passeiam curiosas
em descendente excursão

serenas elas vão
são sendas suaves, atrevidas e macias
ah! lenta letargia
sedentas, ardendo incandescências
de caminhos suspirais

são serpentícas
em planos desvelando-se
em relevos demorando-se
e das sementes

pequenino botão tímido
tremulando sensações
da semente deslumbre a flor que enfim surge
em seda orvalhando-se e liqüifazendo-se ilusões

são suspiros
           são sussurros
                   
são murmúrios
                             estremecimentos são

ah! lascivas estações
deslumbrando-se ao luar

uma noite em brisa, algo cálida e menina
testemunha atrevida a percorrente explosão

e as sombras das cortinas em azulêncios noturnais
aconchegam sonhos de viagens surreais

Um comentário:

Claire Minuet disse...

que lindo poema. Lembrou Rimbaud, teu estilo é bem peculiar, adorei.
seguindo-te! bjs

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